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Suspensão, por Mateus Barbassa
O grupo de teatro pós-dramático Trupe Acima do Bem e do Mal apresenta o espetáculo “Suspensão”.
Certo dia três personagens um homem, uma mulher e um velho veem que estão sozinhos no mundo e que todos as formas de vida desapareceram, passam-se seis meses de procura incessante por alguém ou algo que explique o que ocorreu.
É exatamente deste ponto que o espetáculo começa, à partir do momento em que todos os caminhos e todas as possibilidades já foram gastas, restando apenas o tédio e uma certa dose de neurose individual que cada personagem desenvolve (o homem sai todos os dias em busca de vida lá fora, a mulher expõe um comportamento obsessivo na tentativa de engravidar e repovoar a terra e o velho entra numa espécie de apatia que nada aplaca).
“Suspensão” apenas “mostra” esses personagens sem se preocupar em criar um falsa empatia no espectador, pois o que interessa ao grupo nessa montagem é a possibilidade de se discutir metaforicamente a ausência do outro.
O que seria de nós sem a existência de outros que dão sentido à nossa vida?
É essa a pergunta fundamental do espetáculo.
Na peça também acompanhamos a história de dois personagens intitulados Gregório e Sidarta que são um simulacro de uma sociedade contemporânea que se perde no emaranhado de sensações, frases clichês e de um egoísmo exacerbado.
Os dois personagens/espectros simbolizam (tanto para o texto literário quanto para a direção do espetáculo) um momento de reflexão para o espectador/leitor, para isso utilizamos as técnicas do alemão Bertolt Brecht e seu efeito de desfamilirização com o objetivo de desestabilizar a platéia de seu papel de meras “cobaias hipnotizadas”.
“Suspensão” ainda se utiliza das teorias de Hans-Thies Lehmann e desenrola o conflito entre a cena escrita literariamente e a cena teatral, além de fazer uso de uma trilha sonora que tem por meta ora comentar a ação ora causa um estranhamento no espectador.
Longe de ser um espetáculo palatável “Suspensão” é uma peça que pretende ser uma reflexão do modo como nos comportamos como indivíduo e indo além fazendo um comentário sobre os mecanismos artísticos que dispomos enquanto criadores e a forma de se fazer teatro atualmente.”
Segundo dia de atividades do lançamento da SP Escola de Teatro
Foi marcado por recordações históricas e discussões calorosas sobre o processo teatral e suas diferentes áreas de saber, o segundo dia da programação de lançamento da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.
Emílio Di Biasi, Eduardo Okamoto e Raul Belém Machado foram os convidados de ontem (27). Foi para conhecer um pouco mais de suas histórias e de seu trabalho que o público novamente lotou as apresentações gratuitas.
Veja aqui
Primeiro dia de atividades da SP Escola de Teatro
O ator Luis Melo, a Cia. Brasileira, o humorista Jorge Loredo e o cenógrafo José Dias abriram ontem (26) a programação gratuita de lançamento da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Veja reportagem aqui.
Suspensão, terça-feira, dia 8 de dezembro, às 21h, no SESC Ribeirão Preto
Final de semana paulista
Não costume relatar o que faço ou deixo de fazer nos meus finais de semana, ou em qualquer outro dia, mas o últimofinal de semana especial. Talvez ainda um pouco vislumbrado pela cidade de São Paulo – sai de Ribeirao Preto e estou morandoa aqui faz um mes – e os acontecimentos culturais que acontem por aqui – que os próprios moradores parecem não tirar proveito – detalho um final de semana paulista.
Na quinta-feira (19) começou a Balada Literária, organizada pelo escritor e agitador cultural Marcelino Freire. Estava muito curioso para saber como era esse famoso evento e o que encontrei foi uma festa literária realizada com muita vontade pelo Marcelino. Louvável e genial a uniao que os escritores têm aqui em São Paulo. Marcelino frisou muito na vontade de fazer, de estar junto, de não parar para pensar e de ir pensando enquanto anda. (Acho que a Feira do Livro de Ribeirao tem que aprender com essas iniciativas, pois não adianta ter um grande atrativo ou aparecer no jornal para fazer sucesso, é preciso muito amor pela literatura e pelos escritores para organziar um evento generozo para o público – e indo num evento como esse, a gente percebe o que é participar de uma festa literária feito por um escritor, não por um empresário).
Na sexta-feira (20) fui ver a peça Liz, de Reinaldo Montero, interpretado pela Cia. de Teatro Os Satyros, grupo que, de longe, é o mais representativo do Brasil. No elenco, Cleo de Páris deu um show, uma mulher aparentemente frágil, mas que é um colosso quando fala, quando está no palco, viva. A direçao singular de Rodolfo Garcia Vázquez deixa claro a linguagem que tanto caracteriza o grupo: um teatro que não espera esquentar, que já vem quente, e o melhor, apimentado.
Ainda na sexta-feira, meia-noite (no melhor estilo do Espaço A Coisa, em Ribeirao Preto), assisti a peça Brutal – gente vazia pode ser muito perigosa, do diretor e escritor Mário Bortolotto. A história é simples e muito divertida. No mais estilo Calil de ser, a personagem funda a Legiao do Amor, um grupo de homens e mulheres reunidas com o objetivo de amar. Os personagens, no estilo do teatro épico, aparecem dizendo depoimentos quase o tempo todo para uma voz – que no começo não sabemos quem é, mas em seguida se mostra a voz de um delegado, o que já sujere uma tragédia nesse ambiente. É através desses depoimentos seguidos de algumas cenas que a história se desenvolve.
No sábado (21), não lembro muito bem o que eu fiz, mas no final da noite acabei vendo em Dvd o filme Feliz Natal, escrito e dirigido por Selton Mello. Não sei o que a crítica falou, mas o filme tem uma narativa muito original, os personagens são muito bem construidos – tem até um que lembra muito o próprio Selton Mello – e a história é triste e bem construída.
No domingo (22), para terminar, fui ao último dia da Balada Literária. Perdi o Santiago Nazarian conversando com o Joao Gilberto Noll, por que o evento era longe e acordei quase em cima da hora, mas assisti o crítico Manuel da Costa Pinto conversando com Lygia Faguntes Teles (que contou relatos muito divertidos que passou ao lado de Clarice Lispector) e com o escritor da biografia recém lançada da Clarice, Benjamin Moser.
Em seguida, Fabiano dos Santos, do Ministério da cultura e Tadeu di Pietro, da Funarte, tentaram exlplicar algum projeto que não consegui entender.
O encerramento da Balada Literária foi no Centro Cultura O_Barco. Primeiro foi a apresentação de Mantra Organico para Vozes, Violino Eltrético e Processamento de Matéria, com uns textos da Bíblia, junto com textos da Divina Comédia, uns ruído e um violino. Idéia legal que o pessoal está contruindo sobre linguagem.
Mas o show mesmo foi depois, com a banda Porcas Borboletas, de Uberlândia (MG). As músicas são geniais, o cantor é muito irreverente e a banda é bem divertida. Deixo aqui o link para o myspace deles e um poema de um dos cantores, que também tem um livro chamda O Heroí Hesitante – autobiografia de um anônimo.
POEMA
Épico (exercício de abstração n. 2)
Pereguino involuntário de mim mesmo
Percorro as ruínas de meu corpo e alma
Deitado no diva de pregos do faquir psicanalista
Ele me oferce um trago do famoso charuto de freud
Fumamos até o toco
E nos sentimos muito loucos
Com aquela bituca na mão
Psiconalizo-me numa mesmasturbacao mental
Regado a incesto e decadencia
E meu supergo
De penis ereto
Sussurra em meus ouvidos:
- cautela! Prudencia!
Abstracao atrás de abstracao
E eu sobre pregos
Concreto
Batento minhas asas no futuro do pretérito
(de Danislau Também)
Menalton Braff
“Senta-se à cabeceira da mesa de mogno, lugar do patriarca, o cigarro simuladamente esquecido em um canto da boca e o ar compenetrado de quem não se ocupa mais de pequenos vícios, assim como os heróis do faroete que vê na televisão”
do conto Estátua de Barro
Chegou o momento de uma Escola nova para um teatro novo
PROGRAMAÇÃO – LANÇAMENTO DA SP ESCOLA DE TEATRO – CENTRO DE FORMAÇÃO DAS ARTES DO PALCO
O lançamento da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco será realizado no dia 25 de novembro.
Nos dias subsequentes ao evento, de 26 a 29 de novembro, uma série de apresentações e palestras vão ocupar a sede provisória da SP Escola de Teatro no Brás.
Saiba tudo em: http://www.spescoladeteatro.org.br/
Prato
No ar…
carona
Gostaria de pegar carona no silencia que nem as putas de estrada.







