lucas arantes

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Archive for setembro 2008

tarefa: domingo feliz

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setembro 29, 2008 at 1:02 am

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ensaio sobre o sonho

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Written by lucasarantes

setembro 26, 2008 at 2:27 am

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ensaio sobre o sonho

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setembro 17, 2008 at 8:42 pm

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Crítica: A Alma Boa de Setsuan

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O teatro ribeirão-retano foi agraciado no último domingo com uma cuidadosa montagem do espetáculo “A Alma Boa de Setsuan”, do dramaturgo e teórico alemão Bertolt Brecht. A peça fez parte do festival de teatro TPC e foi dirigida por Mateus Barbassa. No elenco, atores lúcidos deixaram o espectador suspenso pela palavra, elemento principal da montagem. O diretor descartou elementos fáceis de entreter e distrair o público, se arriscando, assim, a ousadias estéticas interessantes. Os atores, por conseguinte, impressionaram com seus tipos, marcando claramente uma narrativa interpretativa.

A história é uma fábula de “como ser bom se a comida do mundo anda tão cara”, fala de Chen Tê, personagem protagonista da peça. Chen Tê, escolhida pelos deuses pela sua bondade, protesta pela escolha dizendo que não é nenhuma “alma boa” e que apesar de ter acolhido os deuses em sua hospedaria, tem um lado mal e que além de tudo, vende seu corpo para pagar o pão. Os deuses não lhe dão ouvidos e a pagam pela hospedado amigável. Em seguida, a declaram a alma boa da cidade.

Chen Tê, em decorrência da situação e da quantidade de pessoas que vem pedir ajuda a “alma boa”, se vê obrigada a criar um primo, que ela mesma representa e que atua como o lado “mal” da personagem, dizendo tudo o que ela gostaria de dizer aos parasitas que vêm grudar em seu corpo em troca de alguma vantagem. É o lado negro necessário e social da personagem.

Cantigas de ninar, Mamonas Assassinas, rap, rock in roll, Björk e música erudita, compõem a excelente trilha sonora da peça. Duas expressivas atrizes atuam como a prostituta Chen Tê e seu primo, retratando sempre o seu caráter ambíguo, maniqueísta, passivo, irônico e lúcido sobre o mundo/situação em que foi sendo inserida por sua própria condição. Os outros atores não deixam por menos.

A peça faz parte do repertório do grupo ribeirão-pretano TPC, mas se distancia de outras montagens da companhia, já que “Alma Boa de Setsuan” faz parte do projeto Ademar Guerra, que visa o deslocamento pelo país de profissionais experientes para supervisionar grupos amadores. O que o TPC propôs foi um projeto pioneiro na cidade de estudo e montagem de Bertolt Brecht, com supervisão da respeitada Lúcia Capuani, atriz, professora e diretora teatral.

Esperamos que este espetáculo não caia no vício do teatro local: o de passar meses e meses de ensaio para a montagem de um espetáculo que só será apresentado na estréia (como conclusão de curso de uma escola e faculdade, por exemplo), sendo esquecido em seguida pelos atores, que partem para outras montagens, sem nunca ter executado diversas vezes uma única peça. O exercício de apresentar dezenas e dezenas de vezes é fundamental para o amadurecimento do elenco. Como diria Manoel de Barros “repetir, repetir, até ficar diferente. Repetir é um dom de estilo”.

Há muito que se aperfeiçoar na peça, mas como o próprio texto final do Brecht diz “cabe a você, público ouvinte (e pensante) dar continuidade a esta fábula na vida e buscar melhorá-la a sua maneira”. Como se os possíveis equívocos das personagens postas em cena pudessem ser mudadas com a nossa postura ética fora do teatro.

Written by lucasarantes

setembro 15, 2008 at 8:36 pm

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Árvore Musical

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 Arte Arvore Escultura Instalacao Musica

Concebida pelos artistas Mike Tonkin e Anna Liu, esta escultura é feita de 1 mil tubos galvanizados que, quando percorridos pelo vento, actuam como flautas e atuem por quilómetros na paisagem inglesa. Esta árvore metálica produz notas e acordes que variam com a intensidade e direcção do vento. Segue um vídeo.

Written by lucasarantes

setembro 10, 2008 at 1:31 pm

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crítica: Um Beijo Roubado

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por lucas arantes

O novo filme de Wong Kar-Wai, “Um Beijo Roubado”, primeiro filme em linguá inglesa do conceituado diretor chinês, estreiou em Ribeirão Preto no último final de semana e está praticamente com todas as sessões lotadas. Não é por menos. O cineasta sabe se apegar aos detalhes da vida e sabe que o motor das emoções está, muitas vezes, nas pequenas expressões, nas pequenas interpretações singulares que temos sobre o mundo, que apesar da sociedade buscar oferecer representações fixas sobre certos parâmetros emotivos, estas representações não suplantam, nem dão conta, da torrente de significados existente na forma autorizada de enlouquecimento e sofrimento enraizado pela nossa sociedade: o amor.

O enredo é simples, em termos da história como pano de fundo, mas o que se passa entre os personagens é absolutamente complexo e emocionante: um dono de bar que está no mesmo estabelecimento há anos, com esperança de que a ex-namorada volte, pois quando era criança aprendeu que caso de perdesse da mãe em algum parque, por exemplo, o melhor era ficar parado no mesmo lugar para que a mãe o encontrasse, ao invés de ficarem os dois perdidos procurando; uma mulher (protagonista interpretada pela cantora e, agora, atriz Norah Jones) que viaja durante um ano para passar por um processo ritualístico de desapego do ex-namorado e para trabalhar afim de comprar um carro; um policial que acredita que ainda esta casado com a mulher (atente-se a fabulosa interpretação do ator que faz este personagem no momento em que conta que há tempos tenta parar de beber) e a jogadora de pôquer milionária que nega o amor pelo pai, mas que nitidamente está amarrado à ele. E no meio disso, uma torta de mirtilo, ou “blueberry”, feita com pequenas e raras frutas roxas.

O diretor sabe valorizar o espetáculo. Sabe que enquanto fazemos determinadas ações, estamos, ao mesmo tempo, fazendo outras. Assim, eus personagens se emocionam enquanto na verdade, deveriam estar se divertindo.

Diretor de “Amor À Flor da Pele”, “Dias Selvagens”, o aclamado “2046” e “Amores Expressos”, “Um Beijo Roubado” é uma variação dos temas tratados em seus outros filmes: os encontros, desencontros, sonhos, esperanças e reencontros que temos com o nosso desejo, matriz simbólica das emoções. Como diria o poeta carioca “a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida”. Mas, como mostra o filme, os encontros suplantam os desencontros.

Sem dúvida, “Um Beijo Roubado” mostra uma nova face do cinema moderno, apropriando-se das artes plásticas e da música, elaborando diversas obras de arte em um único conjunto. Mostra como os objetos banais da vida, como um semáforo ou um poste, local de encontro de dois desconhecidos que tornam-se amantes, passa à ser palco para o drama de ser demasiado humano. O conhecido, aqui, fica estranho.

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setembro 10, 2008 at 4:09 am

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Crítica: Império dos Sonhos

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por Lucas Arantes

Saber quantos filmes existe dentro do filme “Império dos Sonhos”, de David Lynch, recém lançado em DVD, é um trabalho quase que de ourives. Descobrir isso é o mesmo que esmiuçar os personagens de “Cem Anos de Solidão”, do Nobel Gabriel Garcia Marques. Apesar da aparente complicação, a obra de Lynch não é um universo hermético, fechado em sua própria hostilidade. No lançamento do próprio filme o diretor chegou à afirmar que “Império dos Sonhos” era um filme simples e de um enredo também simples. De certo modo ele está certo. O diferencial fica no desdobramento do enredo e das ligações insólitas dos personagens, objetos e da linguagem cinematográfica que o diretor coloca em ato.

“Império dos Sonhos” talvez seja uma alucinação do dia de amanhã. O cineasta norte-americano, que começou jovem no cinema aos 29 anos, com “Eraserhead (cabeça de apagador) em 1977, filma como quem escreve, sem saber de antemão onde vai desembocar a sua trama. E é justamente por onde ele caminha e por onde ele chega, que está o interessante de sua narrativa.  

Linch É um diretor corajoso ao tratar de Hollywood. No início do filme, uma velha um tanto quanto bizarra, vai visitar uma atriz, dizendo que é sua nova vizinha. Cheia de presságios e contos ciganos, a velha aponta para o sofá em frente onde as duas estão sentadas e diz que se fosse amanhã, a atriz estaria sentada ali, do outro lado do sofá, e teria passado no teste para ingressar no novo filme em que tanto deseja.

E então, o filme começa ali, no dia de amanha, onde a atriz recebe a notícia que ganhou o papel do filme em que fez o teste. Todo o filme passa a ser uma alucinação dentro do delírio da cena da velha (que talvez nem exista), onde uma história entra na outra, no começo de forma sutil, depois de forma atordoante. A ficção entra na realidade, a realidade invade a ficção e o mais impressionante: a ficção passa a interferir na outra ficção criada pelo diretor, sem ter que fazer ponte na realidade, criando, assim, uma ficção terceira que invalida, de certa forma, as ficções que delas se subordinaram.

Lynch é um escritor onírico, que sabe se utilizar dos sonhos e da psicanálise. Ora o filme parece uma pintura ou um quadro de uma galeria contemporânea. Seus personagens são representações de outros elementos do nosso mundo interno e externo. O diretor sabe que um objeto simples, como um abajur vermelho, pode adquirir múltiplas interpretações, dependendo da maneira que é olhado. Faz um filme de terror sem precisar colocar monstros, pois o medo é universal e ao mesmo tempo, particular.

Lynch é um diretor obsessivo, como os seus personagens. Um artista completo. Canta e compõem em “Império dos Sonhos”. São três horas de associação livre, em busca de uma lógica dentro do filme e de seus significados e significações possíveis, que remetem à programas televisivos e outros trabalhos do próprio cineasta, como “Veludo Azul”, “Cidade dos Sonhos”, “Coração Selvagem” e “A Estrada Perdida”.

Sem estragar o final, Lynch termina o filme com uma mensagem de fôlego, de liberdade, no meio de tantos sentimentos e sensações persecutórios do enredo. É no desfecho que a realidade toma o seu lugar, com as reminiscências adquiridas no sonho (filme). A realidade é transformada pelo sonho (filme), mas é somente pela realidade que os sonhos podem existir. E com a temática dos sonhos Holywoodianos sempre recorrente em seus filmes, somado ao questionamento do valor de importância que a realidade tem no meio de tanta ilusão, Lynch termina dizendo algo como “vocês é que são reais, nós somos a fantasia”.

Written by lucasarantes

setembro 10, 2008 at 4:05 am

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