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Manoel de Barros

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O jornalista Bosco Martins entrevistou o poeta Manoel de Barros em sua casa. A entrevista esta divida em 4 partes abaixo desta postagem e é excelente, com poemas inéditos lidos pelo próprio poeta no final da entrevista e após um bate-papo na mesa de jantar com sua mulher falando sobre Deus e mistério.

Outro bom material sobre o poeta pode ser encontrado no vídeo-documentário “O poeta é um ente que lambe as palavras e se alucina”, de Arlindo Fernandez. Este é fruto do projeto DocTv e apesar do áudio ser de péssima qualidade (pelo menos no meu DVD) o vídeo é interessante e com paciência pode-se extrair boa experiência.

A voz de Manoel de Barros intercala-se com a voz de outro brasileiro, Guimarães Rosa, ao fazer a humanização das coisas inanimadas em sua poesia e o uso das coisas desimportantes para alcançar o subjetivo.

O país conheceu o poeta tardiamente. Ele afirma que foi por pura sorte, “Só fiquei conhecido aos setenta porque nessa quadra o senhor Millôr Fernandes me leu”.

Hoje vive em Campo Grande e lançou recentemente a terceira parte da sua autobiografia inventada, intitulada “A Terceira Infância” (Editora Planeta). O livro possui iluminuras de Martha Barros, que pra mim, é a evolução do Miró na pintura. Trás também trechos memoráveis do poeta como quando ele reflete sobre os andarilhos e “o uso que fazem da ignorância”. Os andarilhos de Barros lembram o andarilho Knulp e suas desventuras narradas pelo escritor maior chamado Hermann Hesse. Aliás, sobre os andarilhos está a essência do fazer poético, como afirmou certa vez Manoel de Barros: “Poesia é uma aventura errática. Eu acho parecido com a existência dos andarilhos. Os andarilhos não andam por caminhos traçados. Eles fazem seus caminhos. Mas não sabem aonde chegar. E se um dia chegam, eles nem desconfiam”.

Escrever é sem dúvida dar-se com esse imprevisível do que vai sendo percorrido.

Antes da entrevista realizada pelo Bosco Martins, deixo um poema inédito do poeta publicado na revista/livro “Poesia Sempre” da Biblioteca Nacional: “O tempo só anda de ida/ A gente nasce cresce amadurece envelhece/ e morre./ Pra não morrer tem que amarrar o tempo/ no poste./ Eis a ciência da poesia:/ Amarrar o tempo no poste”.

Em breve mais novidades sobre o lançamento do meu primeiro romance “O Outro Estranho” que deve estrear em Fevereiro de 2009. Mas antes, deixarei os dois primeiros capítulos neste blog.

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Written by lucasarantes

novembro 27, 2008 às 5:30 pm

Publicado em literatura

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