lucas arantes

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Final de semana paulista

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Não costume relatar o que faço ou deixo de fazer nos meus finais de semana, ou em qualquer outro dia, mas o últimofinal de semana especial. Talvez ainda um pouco vislumbrado pela cidade de São Paulo – sai de Ribeirao Preto e estou morandoa aqui faz um mes – e os acontecimentos culturais que acontem por aqui – que os próprios moradores parecem não tirar proveito – detalho um final de semana paulista.

Na quinta-feira (19) começou a Balada Literária, organizada pelo escritor e agitador cultural Marcelino Freire. Estava muito curioso para saber como era esse famoso evento e o que encontrei foi uma festa literária realizada com muita vontade pelo Marcelino. Louvável e genial a uniao que os escritores têm aqui em São Paulo. Marcelino frisou muito na vontade de fazer, de estar junto, de não parar para pensar e de ir pensando enquanto anda. (Acho que a Feira do Livro de Ribeirao tem que aprender com essas iniciativas, pois não adianta ter um grande atrativo ou aparecer no jornal para fazer sucesso, é preciso muito amor pela literatura e pelos escritores para organziar um evento generozo para o público – e indo num evento como esse, a gente percebe o que é participar de uma festa literária feito por um escritor, não por um empresário).

Na sexta-feira (20) fui ver a peça Liz, de Reinaldo Montero, interpretado pela Cia. de Teatro Os Satyros, grupo que, de longe, é o mais representativo do Brasil. No elenco, Cleo de Páris deu um show, uma mulher aparentemente frágil, mas que é um colosso quando fala, quando está no palco, viva. A direçao singular de Rodolfo Garcia Vázquez deixa claro a linguagem que tanto caracteriza o grupo: um teatro que não espera esquentar, que já vem quente, e o melhor, apimentado.

Ainda na sexta-feira, meia-noite (no melhor estilo do Espaço A Coisa, em Ribeirao Preto), assisti a peça  Brutal – gente vazia pode ser muito perigosa, do diretor e escritor Mário Bortolotto. A história é simples e muito divertida. No mais estilo Calil de ser, a personagem funda a Legiao do Amor, um grupo de homens e mulheres reunidas com o objetivo de amar. Os personagens, no estilo do teatro épico, aparecem dizendo depoimentos quase o tempo todo para uma voz – que no começo não sabemos quem é, mas em seguida se mostra a voz de um delegado, o que já sujere uma tragédia nesse ambiente. É através desses depoimentos seguidos de algumas cenas que a história se desenvolve.

No sábado (21), não lembro muito bem o que eu fiz, mas no final da noite acabei vendo em Dvd o filme Feliz Natal, escrito e dirigido por Selton Mello. Não sei o que a crítica falou, mas o filme tem uma narativa muito original, os personagens são muito bem construidos – tem até um que lembra muito o próprio Selton Mello – e a história é triste e bem construída.

No domingo (22), para terminar, fui ao último dia da Balada Literária. Perdi o Santiago Nazarian conversando com o Joao Gilberto Noll, por que o evento era longe e acordei quase em cima da hora, mas assisti o crítico Manuel da Costa Pinto conversando com Lygia Faguntes Teles (que contou relatos muito divertidos que passou ao lado de Clarice Lispector) e com o escritor da biografia recém lançada da Clarice, Benjamin Moser.

Em seguida, Fabiano dos Santos, do Ministério da cultura e Tadeu di Pietro, da Funarte, tentaram exlplicar algum projeto que não consegui entender.

O encerramento da Balada Literária foi no Centro Cultura O_Barco. Primeiro foi a apresentação de Mantra Organico para Vozes, Violino Eltrético e Processamento de Matéria, com uns textos da Bíblia, junto com textos da Divina Comédia, uns ruído e um violino. Idéia legal que o pessoal está contruindo sobre linguagem.

Mas o show mesmo foi depois, com a banda Porcas Borboletas, de Uberlândia (MG). As músicas são geniais, o cantor é muito irreverente e a banda é bem divertida. Deixo aqui o link para o myspace deles e um poema de um dos cantores, que também tem um livro chamda O Heroí Hesitante – autobiografia de um anônimo.

POEMA

Épico (exercício de abstração n. 2)

Pereguino involuntário de mim mesmo

Percorro as ruínas de meu corpo e alma

Deitado no diva de pregos do faquir psicanalista

Ele me oferce um trago do famoso charuto de freud

Fumamos até o toco

E nos sentimos muito loucos

Com aquela bituca na mão

Psiconalizo-me numa mesmasturbacao mental

Regado a incesto e decadencia

E meu supergo

De penis ereto

Sussurra em meus ouvidos:

– cautela! Prudencia!

Abstracao atrás de abstracao

E eu sobre pregos

Concreto

Batento minhas asas no futuro do pretérito

(de Danislau Também)

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Written by lucasarantes

novembro 27, 2009 às 5:33 pm

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