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Exposição – Lucília Junqueira de Almeida Prado

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O Sesc de Ribeirão Preto presta homenagem a escritora Lucília Junqueira de Almeida Prado e  me convidou para escrever um texto sobre a autora radicada em Ribeirão Preto. Fui até a casa dela no mês de abril e conversamos mais de 2 horas sobre assuntos diversos. A exposição  abre no dia 12 de Maio. Segue texto sobre minhas impressões e fotos.

“A solidão, para o escritor, é um benefício” – Lucília Junqueira de Almeida Prado

ela…

…e os seus passarinhos.

Uma vida interiorana dedicada à família e à literatura

O Sesc de Ribeirão Preto realiza, durante todo o mês de Maio, realiza a maior exposição já organizada sobre a obra da escritora Lucília Junqueira de Almeida Prado, 86, autora de 65 livros infantis e juvenis e mais de uma dezena de livros adultos inéditos.

Nesta homenagem, o público confere diferentes leituras artísticas da obra da escritora por meio de peças teatrais, contação de histórias, oficinas, palestras, curta-metragem de animação, documentário e intervenção musical. Na exposição, o visitante também é convidado a interagir de maneira dinâmica na trajetória dessa autora autodidata, que morou a maior parte de sua vida na fazenda e começou a escrever somente aos 44 anos, marcando para sempre a literatura brasileira.

O começo dessa história aconteceu em São Paulo. A escritora nasceu na capital, mas quando fez quatro anos, estourou a crise econômica mundial de 1929, fazendo com que o seu pai, advogado, fosse um dos tantos prejudicados pela situação econômica e social. Mudou-se com toda a família para uma fazenda herdada de seu avô, no Triângulo Mineiro.

Aos noves anos, regressou a São Paulo para cursar o ginásio no antigo Colégio das Cônegas de Santo Agostinho, conhecido como “Dês Oiseaux”. Lá, o professor de português profetizou que, a então menina, seria escritora.

Casou-se aos 19 anos com um fazendeiro e voltou a morar no campo, só que dessa vez perto de Orlândia. Nesta fase, dedicou-se “somente” à vida familiar.

Quando completou 44 anos, os seus cinco filhos já estavam morando na cidade para seguir os estudos. E então, nesse momento, começou a escrever. “Acho que a primeira função da mulher é ser mãe, fazendeira e esposa. Com os meus filhos estudando fora, eu havia cumprido o meu papel e poderia realizar o grande sonho da minha mocidade: ser escritora”, conta.

Primeiro veio o livro O Rei do Mundo, ambientado na fazenda. Vencedor de prêmios, a história foi adotada como leitura em várias escolas. Foi por meio dessa experiência que começou a dialogar com os estudantes sobre sua narrativa. Em uma dessas prosas, no Colégio Otoniel Mota, em Ribeirão Preto, um dos alunos pediu para que escrevesse uma história que se passasse na cidade, perto de alguma rua. O pedido resultou na obra Uma Rua Como Aquela, livro vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura Juvenil em 1971, hoje com mais de 70 edições.  

“Soube da conquista do Prêmio Jabuti por um telefonema. Quando vi um dos meus filhos, eu gritei: ‘Ganhei o Jabuti! Ganhei o Jabuti’. Então ele respondeu com a maior cara de pau do mundo: é macho ou fêmea?”, recorda a escritora se divertindo.

De lá pra cá, novos livros foram escritos e, com eles, recebeu mais de oito prêmios, sendo o mais importante deles o “Pen Clube Internacional”, pelo conjunto de sua obra.

Quando perdeu o marido, em 1997, mudou-se para Ribeirão Preto, já que os seus filhos já moravam e trabalhavam na cidade.

Hoje em dia, mesmo longe da fazenda, continua avessa a telefone celular e computador. Escreve tudo a mão, do lado direito do caderno. O lado esquerdo é usado para fazer possíveis correções e enxertos. Para pesquisar, faz uso de enciclopédias. Terminado o livro, reescreve toda a história com as novas alterações em outro caderno e, só então, entrega a última versão para o seu escrivão transcrever para o computador.

Depois de conquistar o público infantil e juvenil, acaba de lançar o livro adulto “A Esperança Tem Muitas Faces”, pela Editora Planeta, ambientado na época da Segunda Guerra Mundial. Atualmente, tem mais de uma dezena de romances adultos inéditos. “Não editei antes, pois fiquei muito conhecida como escritora de livros infantis”, revela.

Para organizar sua obra, a escritora, por conta própria, está imprimindo toda a sua literatura, tanto os livros publicados, a maioria já esgotados, quanto os ainda não editados. “O objetivo é deixar pronto para os meus descendentes lerem”, explica.

Depois disso, irá se dedicar ao seu derradeiro livro. Nele, vai contar a história de vida que passou ao lado do marido. O livro já tem nome provisório: “Talvez se chame Histórias de um Casal”, diz a escritora ainda apaixonada.

 INFO

Sesc Ribeirão Preto

Sala de Exposições. 
Abertura: Dia 12 de junho, quarta, às 20h30.
Horário especial para visitação de grupos escolares: de terça a sexta, das 9h30 às 17h30, até 30/06. Informações e agendamento pelo telefone (16) 3977-4477. Email: tirandodeletra@ribeirao.sescsp.org.br
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Written by lucasarantes

maio 10, 2010 às 10:25 pm

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