lucas arantes

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Archive for agosto 2010

vinaver

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Fage – Sim precisam de alguém que seja uma fonte de idéias não um imitador mas um empreendedor digamos que isso corresponde bastante ao que eu sou

Wallace – Entenda bem não basta gerar idéias

Fage – É necessário concretizá-las

Wallace – Não só isso senhor Fage é necessário uma compreensão da empresa para que as idéias que se possam ter sejam orientadas de uma forma específica

(Texto: A Procura de Emprego. Autoria: Michel Vinaver)

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agosto 29, 2010 at 3:39 pm

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Abismo

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A – Você sabe que se a gente pular daqui de cima a gente voa?

B– Para com isso que assim você me assusta.

A – É sério. Não to brincando.

(C grita de longe)

C – A… B… O que vocês estão fazendo ai, no abismo?

B – Ele quer que eu pule.

A – Acredita em mim. Se a gente pular, a gente voa.

B– Para com isso que eu vou chorar.

C – Não é mentira dele não. A gente voa sim. Olha só.

(C pula no abismo)

A – Vai. Pode ir (Pequena pausa) pula.

Written by lucasarantes

agosto 25, 2010 at 4:59 am

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a última tempestade

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Peter Greenaway mistura cinema, teatro e artes plásticas em “A Última Tempestade” (1992), uma adaptação singular da obra de William Shakespeare. Por vezes, o excesso e o hipnotismo de imagens lembram uma apresentação do Cirque du Soleil, mas o excesso mostra justamente o lado onírico desse grande sonho e (talvez) multiplica a intenção do cineasta de mergulhar nesse estranho mundo. Aliás, a célebre frase “somos da mesma substância da qual são feitos os sonhos, e nossa vida está rodeada por um dormir”, é desta obra.

O deslocamento do espectador que assiste a narrativa acontece em um momento muito interessante, como se o cineasta dialogasse conosco, conversando, ao mesmo tempo, com o próprio autor do texto, que habita a mente da personagem, que, por último, diz: “seu encantamento é tão forte neles, que se você os visse agora, vossa pessoa ficaria comovida”.

E é a mais pura verdade.

Assombroso a obra de arte que ultrapassa tudo e sobrevive ao seu autor. Nós, daqui a poucas décadas, estaremos esquecidos quase que pra sempre?

TRECHOS:

“Meu ânimo, como num sonho, está amarrado. A morte do meu pai, a fraqueza que eu sinto, o naufrágio de meus amigos, e as ameaças que agora me submete, não serão um fardo para mim, desde que eu possa contemplar da minha cela, uma vez por dia, esta donzela. Deixa a liberdade fazer uso disso em outros lugares do mundo, pois tenho espaço bastante em minha prisão”

“Gostaria de fechar os olhos e com eles os meus pensamentos”

“O mar ri da nossa fuga frustante em terra”

“Apenas resta a vocês o pesar. E uma vida reta”

“Que a música solene, o melhor alívio para uma mente alterada, cure seus cérebros, agora inúteis, cozidos dentro de um crânio”

“Que a palavra te leve, por ter ensinado a sua língua”

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agosto 25, 2010 at 12:29 am

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Mônica e o Desejo (1953), de Ingnar Bergman

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O olhar fatalista da condição humana está aqui.

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agosto 20, 2010 at 5:15 pm

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teorema, de Pier Paolo Pasolini

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Se cinema é saber ligar uma cena na outra com maestria, criando na nossa frente personagens e histórias triunfais, permitindo ainda que testemunhemos a criação na nossa frente, o filme “Teorema” (1968), de Pier Paolo Pasolini, é cinema.

Em momentos, ainda, podemos ser privilegiados com o nascimento de uma ideia em uma das personagens (que em breve terá um ataque de histeria), mas sem que o autor nos revele como e qual ideia nasceu na mente da criação, como se ele instaurasse um paradoxo fundamental para a literatura: é a criação que cria o personagem ou é o personagem que sabe que é criado?

Freud, no paradoxo do trauma: Um sofrimento que você não consegue lembrar, você não consegue esquecer.

Estamos presos. Sempre em nós mesmos.

Um personagem que não sabe que é criado não pode existir. Um criador que não deixa o personagem respirar, não sabe criar.

“É preciso inventar novas técnicas impossíveis de reconhecer, que não pareçam com nenhuma técnica precedente para evitar a puerilidade do ridículo, para construir um mundo próprio sem confrontação possível, para o qual não existem precedentes de julgamento, que devem ser novos como a técnica. Ninguém deve saber que o autor não presta, que é um anormal inferior que, como um verme, ele se contorce para sobreviver. Ninguém deve apanhá-lo em um momento de ingenuidade. Tudo deve apresentar-se perfeito, baseado em regras desconhecidas e, portanto, indubitáveis como um louco. Sim, um louco. (…) Mas todos devem acreditar que não se trata do ato de um incapaz, de um impotente. Absolutamente. Mas que se trate de uma decisão segura, sólida, elevada e quase prepotente.  Ninguém deve saber que um sinal dá certo por acaso. “Por acaso” é horrível. E basta um sinal dar certo por milagre e é preciso imediatamente protegê-lo, conservá-lo, como uma tela. Mas ninguém deve perceber. O autor é um pobre idiota, um medíocre, vive no acaso e no risco, desonrado como uma criança. Reduzido sua vida a melancolia e ao ridículo de um ser que sobrevive degradado, sob a impressão de ter perdido alguma coisa para sempre.” (Teorema, Pasolini)

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agosto 20, 2010 at 5:20 am

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o final feliz para um acidente é uma história de amor único

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João Paulo Cuenca cria em seu “O único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente” uma fotografia da impossibilidade do amor e um ensaio sobre a artificialidade das criações humanas.

Uma ruptura na linearidade. O tempo todo.

Como pequenas crônicas, o final não é o mais importante, mas encerra a narração para que o leitor admire os fragmentos e costure a narrativa.

Como todos os livros do escritor, o inventivo estilo muda um pouco o curso da produção literária brasileira, mesmo sendo um livro menos ousado do que os outros dois (“Corpo Presente”, de 2003, e “O dia Mastroianni”, de 2007).

As repetições dominam a história como em um filme que revela a mesma cena para explicar diferentes versões. A repetição do acidente é o grande espetáculo do livro e a conduta pervertida e obsessiva das personagens é o tema central da história.  

Como em Alphaville (1965), de Godard, a Sala do Periscópio da ficção observa e interfere na vida de todos. Para não beber só na referência “cult”, um olhar mais atento do capítulo 22 revela até referências de um antigo capítulo de “Os Simpson”, quando o personagem Bart não quer lavar a mão porque a menina que ele está apaixonado deixou um cuspe na mão dele. Alguém se lembra?

Outras visões do livro já estão na mídia e na internet. Vale a pena dar uma olhada.

Abaixo, alguns trechos grifados:

 “Apenas gostaria que nesse momento você também pensasse em mim, sabe lá como”

“O escuro se apropria de tudo, como se tomasse de volta algo que sempre foi seu”

“Em toda parte, gente bêbada conta algo que nunca contou antes”

“A minha voz foi só um eco”

“Quando se morre se deixa de ser o que é e se passa a ser tudo o que não é”

“acho que não sonho porque todos os dias eu sou sonhada por outros. Eu mesma sou um sonho. Sonhos não podem sonhar, não é?”

“Há quatro dias não lavo as mãos. Hoje entrei no chuveiro com luvas de plástico e elástico nos pulsos (…) Protejo minhas mãos porque entre a carne dos meus dedos e as minhas unhas há uma batalha silenciosa entre as partículas de Iulana Romiszowska e as partículas do planeta Terra”

“Talvez essa febre de registro da humanidade se relacione com o desejo de criar um sentido para o mundo, como um bibliotecário que organiza fichas e põem livros em ordem. Particularmente, não tenho mais essa necessidade. Vejo, mas não entesouro nada. Nesse sentido, é como aceitar a desordem”

“(Quando eu estiver com os dedos da mão formigando e sentir necessidade de virar para o outro lado da cama, um movimento sutil descolando o meu braço da nuca de Iulana Romiszowska irá disparar uma série de passos complexos, e nós, em poucos segundos, voltaremos a nos abraçar em pocição oposta: 1. o braço de Iulana sobre o meu peito, 2. a minha perna esquerda embaixo da coxa direita, 3. seu joelho esquerdo encaixado na minha perna esqueda, 4. as mãos dadas em encaixes geométricos, 5. o nariz da russa aquecendo um pouco específico da minha nunca.)”

Written by lucasarantes

agosto 19, 2010 at 4:55 am

a ronda da noite

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Uma das perguntas mais sórdidas que alguém poderia fazer para alguém

*

“Seus quadros estão cheios de atores posando e fingindo e, como todos os atores, está sempre se admirando no espelho. O mundo inteiro é um palco, não é, Rembrandt? Você nos colaria num palco na sua pintura?”

*

(Frase do filme “A Ronda da Noite” (2007), de Peter Greenaway. O filme é sobre a obra de mesmo nome que Rembrandt realizou para retratar a Milícia dos Mosqueteiros e acusar um crime em plena Amesterdão do século XVII)

Written by lucasarantes

agosto 16, 2010 at 12:17 am

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