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o final feliz para um acidente é uma história de amor único

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João Paulo Cuenca cria em seu “O único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente” uma fotografia da impossibilidade do amor e um ensaio sobre a artificialidade das criações humanas.

Uma ruptura na linearidade. O tempo todo.

Como pequenas crônicas, o final não é o mais importante, mas encerra a narração para que o leitor admire os fragmentos e costure a narrativa.

Como todos os livros do escritor, o inventivo estilo muda um pouco o curso da produção literária brasileira, mesmo sendo um livro menos ousado do que os outros dois (“Corpo Presente”, de 2003, e “O dia Mastroianni”, de 2007).

As repetições dominam a história como em um filme que revela a mesma cena para explicar diferentes versões. A repetição do acidente é o grande espetáculo do livro e a conduta pervertida e obsessiva das personagens é o tema central da história.  

Como em Alphaville (1965), de Godard, a Sala do Periscópio da ficção observa e interfere na vida de todos. Para não beber só na referência “cult”, um olhar mais atento do capítulo 22 revela até referências de um antigo capítulo de “Os Simpson”, quando o personagem Bart não quer lavar a mão porque a menina que ele está apaixonado deixou um cuspe na mão dele. Alguém se lembra?

Outras visões do livro já estão na mídia e na internet. Vale a pena dar uma olhada.

Abaixo, alguns trechos grifados:

 “Apenas gostaria que nesse momento você também pensasse em mim, sabe lá como”

“O escuro se apropria de tudo, como se tomasse de volta algo que sempre foi seu”

“Em toda parte, gente bêbada conta algo que nunca contou antes”

“A minha voz foi só um eco”

“Quando se morre se deixa de ser o que é e se passa a ser tudo o que não é”

“acho que não sonho porque todos os dias eu sou sonhada por outros. Eu mesma sou um sonho. Sonhos não podem sonhar, não é?”

“Há quatro dias não lavo as mãos. Hoje entrei no chuveiro com luvas de plástico e elástico nos pulsos (…) Protejo minhas mãos porque entre a carne dos meus dedos e as minhas unhas há uma batalha silenciosa entre as partículas de Iulana Romiszowska e as partículas do planeta Terra”

“Talvez essa febre de registro da humanidade se relacione com o desejo de criar um sentido para o mundo, como um bibliotecário que organiza fichas e põem livros em ordem. Particularmente, não tenho mais essa necessidade. Vejo, mas não entesouro nada. Nesse sentido, é como aceitar a desordem”

“(Quando eu estiver com os dedos da mão formigando e sentir necessidade de virar para o outro lado da cama, um movimento sutil descolando o meu braço da nuca de Iulana Romiszowska irá disparar uma série de passos complexos, e nós, em poucos segundos, voltaremos a nos abraçar em pocição oposta: 1. o braço de Iulana sobre o meu peito, 2. a minha perna esquerda embaixo da coxa direita, 3. seu joelho esquerdo encaixado na minha perna esqueda, 4. as mãos dadas em encaixes geométricos, 5. o nariz da russa aquecendo um pouco específico da minha nunca.)”

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Written by lucasarantes

agosto 19, 2010 às 4:55 am

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