lucas arantes

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teorema, de Pier Paolo Pasolini

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Se cinema é saber ligar uma cena na outra com maestria, criando na nossa frente personagens e histórias triunfais, permitindo ainda que testemunhemos a criação na nossa frente, o filme “Teorema” (1968), de Pier Paolo Pasolini, é cinema.

Em momentos, ainda, podemos ser privilegiados com o nascimento de uma ideia em uma das personagens (que em breve terá um ataque de histeria), mas sem que o autor nos revele como e qual ideia nasceu na mente da criação, como se ele instaurasse um paradoxo fundamental para a literatura: é a criação que cria o personagem ou é o personagem que sabe que é criado?

Freud, no paradoxo do trauma: Um sofrimento que você não consegue lembrar, você não consegue esquecer.

Estamos presos. Sempre em nós mesmos.

Um personagem que não sabe que é criado não pode existir. Um criador que não deixa o personagem respirar, não sabe criar.

“É preciso inventar novas técnicas impossíveis de reconhecer, que não pareçam com nenhuma técnica precedente para evitar a puerilidade do ridículo, para construir um mundo próprio sem confrontação possível, para o qual não existem precedentes de julgamento, que devem ser novos como a técnica. Ninguém deve saber que o autor não presta, que é um anormal inferior que, como um verme, ele se contorce para sobreviver. Ninguém deve apanhá-lo em um momento de ingenuidade. Tudo deve apresentar-se perfeito, baseado em regras desconhecidas e, portanto, indubitáveis como um louco. Sim, um louco. (…) Mas todos devem acreditar que não se trata do ato de um incapaz, de um impotente. Absolutamente. Mas que se trate de uma decisão segura, sólida, elevada e quase prepotente.  Ninguém deve saber que um sinal dá certo por acaso. “Por acaso” é horrível. E basta um sinal dar certo por milagre e é preciso imediatamente protegê-lo, conservá-lo, como uma tela. Mas ninguém deve perceber. O autor é um pobre idiota, um medíocre, vive no acaso e no risco, desonrado como uma criança. Reduzido sua vida a melancolia e ao ridículo de um ser que sobrevive degradado, sob a impressão de ter perdido alguma coisa para sempre.” (Teorema, Pasolini)

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Written by lucasarantes

agosto 20, 2010 às 5:20 am

Publicado em cinema

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