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o tempo do lobo, de Michael Haneke

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Um dos melhores filmes que eu vi nos últimos tempos. Indicação do blog de Mateus Barbassa, o filme “Le Temps du Loup” (O Tempo do Lobo), 2003, de Michael Haneke, com Isabelle Huppert, é um filme que atormenta e não consola.

Humanos vivem em um mundo que vem depois desse atual estágio de conforto que vivemos hoje (com coca-cola em qualquer esquina, posto de gasolina, água por telefone, comida em abundância, etc, etc). Isqueiros, água e cigarro em “O Tempo do Lobo”, valem ouro. Relógios são praticamente inúteis. Mini populações se unem e vivem vagando, caçando, matando e se protegendo em um mundo hostil. Uma sensação de tédio, incomunicabilidade e desespero.

Uma situação em que a terra é de ninguêm. A história não é um aconteciemento dramático. Uma coisa não leva a outra, leva sempre a um lugar desconhecido. A história é o cenário e a angústia é o pano de fundo. Não tem conclusão.  Não tem explicação do começo, como no livro “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago.

– Quais são os seus planos agora?

– Nada, não há o que fazer.

Quem são Os Justos mencionados no filme, que se matam ao invés de compactuarem com esse mundo pós-apocalíptico?

O filme me fez lembrar muito de José Saramago, que apesar de ter criado uma história, um mito, uma ficção sobre a falta de entendimento do homem, criou também um recorte sobre a barbárie em que vivemos hoje. Mas, nesse caso, Michael Haneke é maior, pois não explica, como Saramago. Haneke nos diz: Derrepente o mundo ficou assim e vamos ver o que acontece. Como se nada mais fosse impossível, nesse mundo onde o impossível já é visível.

O grito de indivialidade nos distanciou uns dos outros. Contar com alguêm no mundo hoje, é contar por um tempo determinado, já que as funções e as utilidades são altamente descartáveis. Quem não tem nada de valioso, morre. E nesse mundo, as únicas qualidades são: a capacidade de matar o outro, de atacar e de sobreviver, anulando a possibilidade do outro, e atuando sobre a fraquesa de cada um. Esse sim é o escolhido para continuar nessa tribo primitiva.

No filme, o melhor é ficar dormindo, no mundo dos sonhos, pois basta abrir os olhos durante a noite para presenciar uma brutalidade, um estupro, um roubo, uma tentativa de homicídio. Hoje, a crueldade tem outras máscaras, com proteção de instituições humanas que, infelizmente, autorizam e potencializam a loucura de uns.

O que fazer nesse oásis de horror? Lutar com as mesmas armas ou integrar o clã dos Justos, se jogando na fogueira durante a noite?

Para quem sobrevive, resta o delírio, essa capacidade humana de sonhar para tentar salvar a vida dos outros e a si próprio.

– Eu pensei que voce podia me ajudar

– Com o quê?

– Com tudo. Mas você destrói tudo…

Aviso: O take final é perturbador.

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Written by lucasarantes

setembro 9, 2010 às 8:24 pm

Publicado em cinema

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Uma resposta

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  1. Excelente crítica.
    Sabia que gostaria muito do filme.
    Sua cara!!!!!

    Mateus Barbassa

    setembro 9, 2010 at 8:33 pm


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