lucas arantes

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pequena visão sobre “utopia”, de leo bassi

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Quantos sonhos a gente carrega, constrói no nascer do dia e morrem algumas horas depois?

Como é esquisito se sentir humano, sem seguranças, sem certezas, cheio de arrependimentos banais que parecem sufocar a nossa suposta e desejada pureza.

O erro. O improviso. A não ilusão.

Parece pouco, solto, sentimentos aleatórios que escrevo, mas quando fui assistir ao espetáculo “Utopia”, do palhaço italiano Leo Bassi, no Espaço Parlapatões (que comemorou 4 anos), não esperava ter que enfrentar os meus próprios defeitos tão de perto e, ainda por cima, me emocionar com eles.

Leve. Político. Humano. Esse é Leo Bassi. Um cara que carrega a máscara do palhaço, que carrega um fardo nas costas: o fardo de refletir, assistir e, claro, criticar o aglomerado de pessoas que se juntaram em um mundo cada vez mais sem espaço (por conta dos automóveis e das construtoras imobiliárias) e cada vez mais loteado (aqui é meu, o meu lugar, o meu espaço).

Como não lembrar do espetáculo “Prego na Testa”, solo de Hugo Possolo, que provoca os mesmos sentimentos, que cutuca (de forma direta ou indireta) ali, naquele lugar que a gente não quer falar muito?

Como fazer catapultar um futuro melhor se ainda nós ainda não somos fiéis aos nossos próprios desejos? E que coisa é essa do homem moderno querer se encontrar para desfrutar, em breve, um futuro feliz? Que estranho abdicarmos da nossa própria singularidade no agora em prol de um coletivo (cidade) que estabelecemos uma relação tão conflitiva e que temos um monte de crítica por não suprir os nossos próprios desejos.

Santa ignorância acharmos que são os outros que vão tapar os nossos buracos, já que a demanda que Leo Bassi coloca em seu espetáculo é, além das demandas mundanas, uma demanda filosófica e, portanto, política.

Estar no mundo e agir nele não como indivíduo, mas como um coletivo que já esteve aqui antes, e teve que ir embora.

Difícil?

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Written by lucasarantes

setembro 12, 2010 às 3:50 am

Publicado em teatro

Uma resposta

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  1. Lucas, vc definiu bem… Bassi nos passa uma coisa tão integral, em suas dúvidas e vai-vens em cena… É o Humano, em toda sua inteireza despedaçada. Lindo.

    Mario Viana

    setembro 12, 2010 at 2:02 pm


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