lucas arantes

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Archive for outubro 2010

poema do acidente

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Suas partes começaram a apodrecer

A pele branca era lençol

Os ossos davam com a cara na porta

O gosto de cinzeiro vinha do intestino

Seguir era um desgosto de rancor

A raiva de ter ficado vivo

Na lembrança o carro cai

Seus filhos e sua mulher iam com a prima

E ele viu tudo

Sua vista desaguar pelo barranco

Seu destino ter sido perder tudo

O azar

A fúria de Deus como um grito de maldade

Risos

Risos

Paranóia

______________

(29/10/2010)

Written by lucasarantes

outubro 29, 2010 at 4:28 am

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3 filmes na 34º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

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Fui hoje na 34º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo assistir ao filme “Air Doll”, de Kode-Eda Hirokazu, do mesmo diretor de “Depois da Vida” – que é um belíssimo filme sobre” o lado de lá”, ou o “depois daqui”.

Em “Air Doll”, uma boneca inflável (da versão mais barata) ganha vida e começa a descobrir o mundo como uma criança. Em seguida, passa por problemas existências, se relaciona com as pessoas, arruma um emprego numa vídeo locadora etc, etc.

 O filme é uma mistura de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, a lenda do “Pinocchio”, e uma pincelada de “O Brinquedo Assassino”. Só que tudo isso não deu uma mistura muito certa.

O filme, ao tentar falar sobre a falta de sentimento no mundo e a artificialidade do mesmo, parece cair na própria armadilha sendo tão artificial quanto o objeto em que busca tratar. Talvez, dentro da cultura em que o filme foi realizado, as questões tratadas na tela (como a anulação do desejo feminino frente ao desejo masculino) devem ser ousadas.

Só que “Air Doll” lembra muito um filme brasileiro chamado “Do Começo ao Fim”, de Aluizio Abranches, que trata do relacionamento de dois irmãos que se apaixonam. Falo que “lembra”, pois em ambos os casos, a ideia central do filme é excelente, mas o que é mostrado na tela é muito superficial em relação às complexas temáticas em que ambos se propõem tratar.

*

Sorte que ontem (quarta-feira) eu tive mais sorte na mostra e, perdendo um filme que tinha programado de ver, acabei vendo o documentário “Na Casa de Meu Pai Há Para Todos”, de Hajo Schomerus. Neste filme, a artificialidade do mundo é tratada com maturidade.  

*

Outro achado foi o filme “Ex Isto”, de Cao Guimarães, que é um não filme sobre um não livro (Catatau), de Paulo Leminski.

Written by lucasarantes

outubro 29, 2010 at 3:32 am

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Flagrante na praça da República

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(de Alberto Martins)

 

Que há por trás

De cada foto

Grama da cidade?

Na calçada pernas

E braços se agitam

Deslembrados do som

– quem anda?

Quem fala? –

A memória é um filme

Alguém está dublando

A realidade

Written by lucasarantes

outubro 28, 2010 at 4:14 am

Publicado em literatura

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peter e irmão

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Peter– Aqui. Vai ser aqui, a cidade.

Irmão– Sim.

P– Aqui.

I– Uma cidade… Completa?

P– Já decidi. Vai ser aqui. A cidade. A primeira pedra. (Peter afasta-se um pouco, olha em volta) Ou… Não. (Peter regressa ao primeiro lugar) Aqui. Vai ser aqui. A primeira pedra.

I– É tão importante?

P- O que?

I– O lugar da primeira pedra?

P– É importante. O centro da cidade. A praça de onde saem todas as ruas.

I- Vai haver uma praça aqui?

P– Uma praça, sim. E um cais ao longo da marginal. Não vai ficar bonito?

I– Vai, claro.

P– Vai ficar bonito.

I– Quem vai morar aqui?

P– O que?

I– Quem vai morar nesta cidade?

P– Eu. Nós.

(Homem Sem Rumo (2005), de Arne Lygre)

Written by lucasarantes

outubro 27, 2010 at 4:05 am

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rizoma

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“A noção de rizoma foi adotada da estrutura de algumas plantas cujos brotos podem ramificar-se em qualquer ponto, assim como engrossar e transformar-se em um bulbo ou tubérculo; o rizoma da botânica, que tanto pode funcionar como raíz, talo ou ramo, independente de sua localização na figura da planta, serve para exemplificar um sistema epistemológico onde não há raízes – ou seja, proposições ou afirmações mais fundamentais do que outras – que ramifiquem-se segundo dicotomias estritas. Deleuze e Guattari sustentam o que, na tradição anglo-saxã da filosofia da ciência, costumou-se chamar de antifundacionalismo (ou antifundamentalismo, ou, ainda, antifundacionismo): a estrutura do conhecimento não deriva, por meios lógicos, de um conjunto de princípios primeiros, mas sim elabora-se simultaneamente a partir de todos os pontos sob a influência de diferentes observações e conceitualizações.” (Fonte: Wikipédia)

Written by lucasarantes

outubro 27, 2010 at 4:00 am

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Rashomon, Akira Kurosawa

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O filme “Rashomon” (1950), de Akira Kurosawa, é baseado no conto “Dentro de um Bosque” de Ryunosuke Akutagawa (considerado o pai do conto japonês), escritor que cometeu o suicídio aos 35 anos.

Valores morais rígidos geram homens honrados. Valores morais soltos, geram malandros e viciados.

 Dois planos narrativos. Três homens debaixo de um abrigo se protegem da chuva, sendo que dois deles participaram de uma corte sobre o assassinato de um samurai. Eles contam para um plebeu a história que ouviram.

Há quatro versões deste assassinato: o contato pelo bandido, o outro pela mulher, o outro pelo morto (por meio de um médium) e um outro pelo lenhador.

Não podemos confiar em nenhuma das versões, que são contraditórias. Cada uma delas parece conter toda a mentira e toda a verdade sobre o fato. Tal beco sem saída fez surgir no vocabulário a expressão “Rashomon”, na qual a veracidade de um evento é difícil de ser verificada.

E em quem confiar nos dias de hoje, onde cada um age de uma forma com cada um só para obter o máximo de benefício do outro antes de pronunciar palavras contraditórias em seu entorno?

Rashomon para o mundo contemporâneo.

“É por serem fracos que os homens mentem até para eles”

*

“Se um homem não confia uns nos outros a terra pode ser um inferno”

*

“No final, não pode entender as coisas que os homens fazem”

*

“- Estou envergonhado do que disse.

– É inevitável desconfiar dos outros num dia como este”

Written by lucasarantes

outubro 26, 2010 at 3:29 am

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Companhia paulistana apresenta ‘Ar Vazio’ em Ribeirão

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por Régis Martins (Jornal A Cidade)

Uma história de amor interrompida por um acidente de automóvel. Ele, no mundo dos mortos, não consegue ir embora. Está em nenhum lugar, esperando poder partir do mundo das recordações.

Ela, viva, conserva o seu museu de recordações, como se ele ainda fosse presente.

Quem lê o texto de divulgação de ‘Ar Vazio’ acredita que se trata de um espetáculo espírita, porém o autor do texto logo explica que sua obra não tem nada de kardecista.

A peça, de acordo com o jornalista e dramaturgo ribeirão-pretano Lucas Arantes, é sobre uma separação interrompida sem previsões, em que o luto é imposto.

“É sobre essa visão dupla, do mundo dos mortos e do mundo dos vivos, onde os dois buscam elaborar essa tragédia para cada um continuar vivendo a sua própria viagem”, explica o autor da peça.

Repercussão

“Ar Vazio” ganha novamente os palcos de Ribeirão Preto depois de sua estreia em junho passado, durante a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto de 2010.

É a sucessora de “Suspensão”, peça que conquistou crítica e público durante sua temporada no Espaço Satyros, que fica na Praça Roosevelt, reduto do teatro underground na capital paulista.

Graças a repercussão de “Suspensão” na capital paulista, incluindo aí boas críticas em publicações especializadas, Lucas foi procurado por um grupo de São Paulo, a Cia. Inerente. O autor ofereceu “Ar Vazio”, que segue o clima denso de “Suspensão”.

Mais uma vez, o espetáculo vai na contramão da produção local, pautada nos vícios da “commedia dell’arte”.

“Para mim, o objetivo de uma obra de arte é ampliar a experiência humana além da conhecida. A obra é um resquício do que você viveu na vida. É refazer o mundo com as próprias palavras”, filosofa o autor, de 25 anos.

Afinidade

O diretor do espetáculo, Pedro Cameron, conheceu o texto de Lucas por meio do ator Igor Pushinov, 24 anos, que, a exemplo do dramaturgo, é um ribeirão-pretano que hoje vive em São Paulo.

“Foi quase que um texto encomendado para a companhia. Eu gostei muito, porque é poético e cheio de imagens”, acredita Pedro. A Cia. Inerente, que apresenta a peça “Ar Vazio” nesta terça e quarta-feira no palco do Sesc de Ribeirão Preto, é formada por alunos da Escola de Artes Dramáticas de USP-SP.

Além de Igor e Pedro, a trupe inclui a atriz Flávia Teixeira, de 26 anos, e a co-diretora Yukari Carolina. “Somos da mesma turma da faculdade e temos uma afinidade artística muito grande”, conta o diretor.

Pedro afirma que a montagem da companhia preza pela simplicidade.

“Queríamos algo que evidenciasse o texto, por isso não há muitos efeitos de luz ou cenografia”, informa.

Serviço

Ar Vazio

Terça e quarta-feira, sempre às 21h, no Galpão de Eventos do Sesc Ribeirão.
Rua Tibiriçá, 50
Ingressos a R$ 10, R$ 5 e R$ 2,50.
Inf.: (16) 3977-4477

Written by lucasarantes

outubro 19, 2010 at 9:15 pm

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