lucas arantes

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Archive for março 2011

PINOKIO, de Roberto Alvim

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Tão estranho quanto um objeto inanimado, como a madeira, se tornar vivo, é algo vivo produzir o morto. Estranho, porém, familiar, comum por meio da observação. Entretanto, ser, sentir e vivenciar o próprio organismo produzir o sangue negro, tumor, aborto, é vivenciar o mito de Carlos Collodi ao avesso. A transmutação que Roberto Alvim propõe em Pinokio, em cartaz no Club Noir, concentra a ideia da imortalidade como o fracasso do homem.

A Eva comeu a maça, a placenta, deixando escapar no liquido o humano-coisa, gente-grilo-rã, que desperta repulsa, amor. Somente a criança, dotada da capacidade do espanto, consegue tornar o que é banal para alguns, em som e fúria.

Apesar de ser contada por estranhas criaturas-linguagens, o sentimento que a narrativa desperta é de beleza. A densidade existe, mas é leve, compreessiva.

No princípio era o boneco, a ideia de um devir; em seguida, o que nasce, sente, e percebe o mundo, assusta-se com ele, encanta-se e arrepende-se; por último, temos a autorização da mãe, figura permeada de afeto, que acolhe o vivo por morrer, empreendendo uma dimensão de limite e espaço naquilo que antes era pura deformidade. A peça desagua nesta figura materna

Conhecer é errar. O corpo que habita a linguagem é prisão. É preciso ser a linguagem para desconhecer-se conscientemente.

*

PINOKIO
Club Noir. Rua Augusta, 331, telefone 3255-8448. 5ª a sáb., às 21 h; dom., às 20 h. R$ 10. Até 15/5.

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Written by lucasarantes

março 25, 2011 at 9:12 pm

Publicado em teatro

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Catábase

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Trecho do genial texto Catilha-Catábase, de Luiz Päetow.  

” Sendo assim saímos à procura de outras vagas para os nossos quadros Feito astronautas descemos ao porão Se somos quadros em busca de reprodução será que uma moldura daria conta de tamanha ficção Será que uma coleira tomaria conta de um cão Será que uma rasteira daria conta de um cão Será que um bolo de noiva pode tomar conta de um cão Será que um suspiro no afeganistão tomaria conta de um cão Será que um orgasmo daria conta de um cão Será que um pleonasmo tomaria conta de um cão Será que um fascículo de tricô pode tomar conta de um cão Será que um trópico de câncer daria conta de um cão Será que uma religião de alho e óleo já fatiada em cruzes pode tomar conta de um cão Será que três galinhas irmãs e amarelinhas tomariam conta de um cão Será que essa colher de raticida pode tomar conta de um cão Será que uma confusão tomaria conta de um cão Será que três guerras mesmo que de botão podem tomar conta de um canhão Será que são pedro tomaria conta de um cão Será que não ser pode tomar conta de um tão invertido plano de rebolar duas formigas ao som de bastante fermento ou ao som de um gatilho abduzido ou ao som de um hífen pedófilo ou ao som de um vovô vestido com pedaços de hipismo ou ao som de um cachorrinho abanando o rabino ou ao som de uma soprano pintando uma moldura despedida àquilo que chamam de vida mente ronca tosse pisa mastiga queima saboreia cospe abre olha encontra cumprimenta abraça conversa ouve sorri anota finge estipula marca acerta convence apalpa rebobina sai Será que alguém reparou que all depressions jazz with status quo Será errado assinar todos os sentidos de uma vez só Será mesmo errado usar a vassoura de dentro de um dálmata”

Texto na íntegra aqui.

Written by lucasarantes

março 18, 2011 at 2:23 pm

Publicado em teatro

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feriado

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Written by lucasarantes

março 18, 2011 at 2:04 pm

Publicado em musica

O Fazendeiro do Ar

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Written by lucasarantes

março 3, 2011 at 7:25 pm

Publicado em cinema

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