lucas arantes

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poema do acidente

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Suas partes começaram a apodrecer

A pele branca era lençol

Os ossos davam com a cara na porta

O gosto de cinzeiro vinha do intestino

Seguir era um desgosto de rancor

A raiva de ter ficado vivo

Na lembrança o carro cai

Seus filhos e sua mulher iam com a prima

E ele viu tudo

Sua vista desaguar pelo barranco

Seu destino ter sido perder tudo

O azar

A fúria de Deus como um grito de maldade

Risos

Risos

Paranóia

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(29/10/2010)

Written by lucasarantes

outubro 29, 2010 at 4:28 am

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peter e irmão

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Peter– Aqui. Vai ser aqui, a cidade.

Irmão– Sim.

P– Aqui.

I– Uma cidade… Completa?

P– Já decidi. Vai ser aqui. A cidade. A primeira pedra. (Peter afasta-se um pouco, olha em volta) Ou… Não. (Peter regressa ao primeiro lugar) Aqui. Vai ser aqui. A primeira pedra.

I– É tão importante?

P- O que?

I– O lugar da primeira pedra?

P– É importante. O centro da cidade. A praça de onde saem todas as ruas.

I- Vai haver uma praça aqui?

P– Uma praça, sim. E um cais ao longo da marginal. Não vai ficar bonito?

I– Vai, claro.

P– Vai ficar bonito.

I– Quem vai morar aqui?

P– O que?

I– Quem vai morar nesta cidade?

P– Eu. Nós.

(Homem Sem Rumo (2005), de Arne Lygre)

Written by lucasarantes

outubro 27, 2010 at 4:05 am

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Companhia paulistana apresenta ‘Ar Vazio’ em Ribeirão

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por Régis Martins (Jornal A Cidade)

Uma história de amor interrompida por um acidente de automóvel. Ele, no mundo dos mortos, não consegue ir embora. Está em nenhum lugar, esperando poder partir do mundo das recordações.

Ela, viva, conserva o seu museu de recordações, como se ele ainda fosse presente.

Quem lê o texto de divulgação de ‘Ar Vazio’ acredita que se trata de um espetáculo espírita, porém o autor do texto logo explica que sua obra não tem nada de kardecista.

A peça, de acordo com o jornalista e dramaturgo ribeirão-pretano Lucas Arantes, é sobre uma separação interrompida sem previsões, em que o luto é imposto.

“É sobre essa visão dupla, do mundo dos mortos e do mundo dos vivos, onde os dois buscam elaborar essa tragédia para cada um continuar vivendo a sua própria viagem”, explica o autor da peça.

Repercussão

“Ar Vazio” ganha novamente os palcos de Ribeirão Preto depois de sua estreia em junho passado, durante a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto de 2010.

É a sucessora de “Suspensão”, peça que conquistou crítica e público durante sua temporada no Espaço Satyros, que fica na Praça Roosevelt, reduto do teatro underground na capital paulista.

Graças a repercussão de “Suspensão” na capital paulista, incluindo aí boas críticas em publicações especializadas, Lucas foi procurado por um grupo de São Paulo, a Cia. Inerente. O autor ofereceu “Ar Vazio”, que segue o clima denso de “Suspensão”.

Mais uma vez, o espetáculo vai na contramão da produção local, pautada nos vícios da “commedia dell’arte”.

“Para mim, o objetivo de uma obra de arte é ampliar a experiência humana além da conhecida. A obra é um resquício do que você viveu na vida. É refazer o mundo com as próprias palavras”, filosofa o autor, de 25 anos.

Afinidade

O diretor do espetáculo, Pedro Cameron, conheceu o texto de Lucas por meio do ator Igor Pushinov, 24 anos, que, a exemplo do dramaturgo, é um ribeirão-pretano que hoje vive em São Paulo.

“Foi quase que um texto encomendado para a companhia. Eu gostei muito, porque é poético e cheio de imagens”, acredita Pedro. A Cia. Inerente, que apresenta a peça “Ar Vazio” nesta terça e quarta-feira no palco do Sesc de Ribeirão Preto, é formada por alunos da Escola de Artes Dramáticas de USP-SP.

Além de Igor e Pedro, a trupe inclui a atriz Flávia Teixeira, de 26 anos, e a co-diretora Yukari Carolina. “Somos da mesma turma da faculdade e temos uma afinidade artística muito grande”, conta o diretor.

Pedro afirma que a montagem da companhia preza pela simplicidade.

“Queríamos algo que evidenciasse o texto, por isso não há muitos efeitos de luz ou cenografia”, informa.

Serviço

Ar Vazio

Terça e quarta-feira, sempre às 21h, no Galpão de Eventos do Sesc Ribeirão.
Rua Tibiriçá, 50
Ingressos a R$ 10, R$ 5 e R$ 2,50.
Inf.: (16) 3977-4477

Written by lucasarantes

outubro 19, 2010 at 9:15 pm

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pai e filho

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Filho – Tu e eu temos coisas tão diferentes.

Pai – Você é o próximo da fila, estou atrás de ti.

Filho – Sabe o que os santos dizem sobre o amor paterno?

Pai – Os santos? O amor? Estivesse a ler.

Filho – O amor ao filho crussifica e o filho que ama deixa que o crussifiquem. Nem sei o que significa isso.

Filme: Pai e Filho (2003), de Aleksandr Sokurov.

Written by lucasarantes

agosto 15, 2010 at 12:02 am

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dizer as palavras erradas

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Estranho ver a mesma coisa e ter uma outra opinião

Written by lucasarantes

maio 2, 2010 at 5:43 am

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o paraíso do escritor

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O que vai acontecer quando você for um escritor consagrado, cheio de medalhas e prêmios para mostrar para família, para os amigos que, por um motivo ou outro, antigamente, você se sentia inferiorizado na frente deles? O que vai acontecer quando você for amigo dos escritores que conseguiram ganhar respeito por terem publicado um ou mais livros, mas que, mesmo assim, permanecem inéditos para boa parte da população, esquecidos (sorte que os seus amigos leram)? O que vai acontecer quando você conseguir ganhar algum dinheiro escrevendo, enviar um pouco para os familiares junto com os originais do seu novo livro? O que você vai fazer quando conquistar o que tanto queria? Se lamentar? Se lamentar da vida, do sucesso, da voz que ganhou no mundo? Por favor, não seja tão patético. Faça da sua conquista um motivo de exemplo, verdadeiro, não falso e mentiroso. Não sinta que o outro é menos quando te mandar os originais para ler, não ache isso ruim – aliás, foi você que tanto quis isso. Troque de sofrimento. Sinta-se em casa. Sente-se no bar, sem problemas, mas traga os seus sonhos de novo, os sonhos de sair da cidade natal, de causar novas discussões com suas histórias – não deixe que os outros familiarizem tão facilmente o que escreve. Surpreenda. Agradeça ter tempo para contar suas narrações ao invés de pegar o metrô, ônibus ou trânsito quase toda manhã. Não faça do seu exemplo um exemplo a ser seguido pelos urubus que você cultiva ao seu lado, que trocam sua lavagem todos os dias para você continuar comendo. Não fale de literatura se ela já for uma praga na sua vida. Arrume outra coisa. Ao dar o próximo gole, quando você já for um escritor consagrado, deixe cair toda a cerveja na camisa, saia de fininho para o banheiro, pule a janela que dá para o outro lado da rua apoiando o pé da privada e nunca mais volte. Deixe que seus empregados se matem sozinhos. Ou, se tiver coragem, diga a verdade, não seja hipócrita. Mas se estiver na merda, não minta. Só prometa o céu se você estiver no paraíso.

Written by lucasarantes

abril 17, 2010 at 9:46 pm

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enquanto isso, em Ribeirão Preto…

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foto: lucas arantes

Written by lucasarantes

março 24, 2010 at 4:21 am

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