lucas arantes

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Archive for março 2010

hoje

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“Se eu tivesse morrido uma hora antes desse acontecimento, eu teria vivido um tempo abençoado” – Macbeth

Written by lucasarantes

março 30, 2010 at 3:34 am

Publicado em teatro

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últimas semanas de SUSPENSÃO, em São Paulo

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SUSPENSÃO

(foto: lucas arantes)

Espetáculo: SUSPENSÃO, de lucas arantes

Com: Trupe Acima do Bem e do Mal

Direção: Mateus Barbassa

Com: Ademir Esteves, Davi Tostes, Fernanda Lins, Mateus Barbassa, Maria Angélica Braga

Voz Off: Antônio Carlos Coelho

SERVIÇO (últimas aprsentações)

Quando: sextas e sábados de março (26 e 27) e de de abril (2, 3, 9 e 10)

Horário: 21h30

Local: Satyros Um – Praça Roosevelt, 214

Tel: (11) 3258 6345

Ingresso: R$ 20 e R$ 10

Duração: 80 minutos.

Classificação: 16 anos

*

PRÓLOGO 

Certo dia ELE, ELA e o AVÔ descobrem que estão sozinhos no mundo e que todas as formas de vida desapareceram. Os três gastam seis meses em uma busca incessante por alguém ou algo que explique o que ocorreu.

Os personagens não encontram ninguém por onde passam e o ato da procura deixa de fazer sentido. O que no começo era motivo de alegria, pois nada gastavam e tudo usufruíam, foi logo transformado em tédio, medo, neurose e desespero.

O ENREDO

Após a constatação de que todos os caminhos e todas as possibilidades foram extintas, resta apenas o tédio e uma certa dose de neurose individual que cada personagem desenvolve (ELE sai todos os dias em busca de vida lá fora; ELA expõe um comportamento obsessivo na tentativa de engravidar e repovoar a terra; e o AVÔ entra em um estado apatia em que nada o mobiliza).

Nesta mistura de sentimentos e desafetos, o AVÔ relembra uma época antiga, sem esperança, ouvindo no RÁDIO gravações de um discurso sobre a Teoria da Água e a origem da vida. Essa “teoria inventada” é um contraponto sobre a ciência e sua visão concreta para explicar a nossa origem, deixando de lado o mistério que nos cerca.

GREGÓRIO e SIDARTA evocam um delírio fantasioso sobre o suicídio. Seriam eles Deuses vestidos de mendigos? Messias? Representação do inconsciente em um mundo no qual a fragmentação substitui a subjetividade?

A MONTAGEM

“Suspensão” mostra esses personagens sem se preocupar em criar uma falsa empatia no espectador, pois o que interessa ao grupo nessa montagem é a possibilidade de se discutir metaforicamente a ausência do outro.

O que seria de nós sem a existência de outros que dão sentido à nossa vida?
É essa a pergunta fundamental do espetáculo.

“Suspensão” condensa sensações, delírios e sonhos em um espetáculo sobre a incoerência e ambivalência de nos entendermos uns aos outros. Por parecermos tão familiares, mas tão estranhos perante o nosso desejo e ao desejo do outro, acabamos sendo desconhecidos para nós mesmos.

Através da história de GREGÓRIO e SIDARTA, os dois personagens/espectros que simbolizam um momento de reflexão para o espectador, o grupo utiliza as técnicas do alemão Bertolt Brecht e seu efeito de desfamiliarização com o objetivo de desestabilizar a platéia de seu papel de meras “cobaias hipnotizadas”.

 “Suspensão” ainda se utiliza das teorias de Hans-Thies Lehmann e desenrola o conflito entre a cena escrita literariamente e a cena teatral, além de fazer uso de uma trilha sonora que tem por meta ora comentar a ação ora causa um estranhamento no espectador.

 Longe de ser um espetáculo palatável, “Suspensão” levanta questões, entre elas, o modo como nos comportamos como indivíduo, os mecanismos artísticos de que dispomos enquanto criadores e a forma de se fazer teatro atualmente.

 (POSSÍVEL) MOTIVAÇÃO 

“Na peça ‘Entre Quatro Paredes’, de Jean-Paul Sartre, as personagens são obrigadas a conviver. Em “Suspensão”, as personagens escolhem ficar juntas pois, sozinhas, enlouqueceriam.

Talvez a maior motivação para escrever este espetáculo tenha sido  discutir a importância do outro na nossa formação. Quando me refiro ao “outro” não falo somente sobre outra pessoa, mas sobre os  mecanismos simbólicos construídos pela sociedade como jornais, igrejas, trabalhos, livros, jogos, entre outros artifícios. Todos eles, que são uma espécie de pequenos rituais diários, nos mantêm vivos, distraídos e inseridos em um contexto simbólico e histórico.

 É sempre através desse outro que podemos, talvez, chegar mais próximo de quem e do que somos nós.” (Lucas Arantes)

Written by lucasarantes

março 24, 2010 at 4:29 am

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enquanto isso, em Ribeirão Preto…

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foto: lucas arantes

Written by lucasarantes

março 24, 2010 at 4:21 am

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a escada plana

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foto: lucas arantes

Written by lucasarantes

março 24, 2010 at 4:19 am

Publicado em artes plásticas

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A e B

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A – Vamos, pegue suas coisas.

B – Ah, não. Eu não aguento mais viajar. Todo o dia a mesma coisa.

A – Pega as suas coisas e vamos.

B – Eu quero um lar.

A – Fecha os olhos?

B – Como?

A – É, fecha os olhos,

(B fecha os olhos)

A – Era uma vez um lar que tinha abajur, alpendre, pé de amora e edredon…

(B abrindo os olhos)

B – Pode parar. Você acha que eu vou acreditar? Não me faça rir.

A – Eu só queria ajudar.

B- Então fica aqui, comigo.

A – E se lá for melhor?

B – E se aqui for melhor?

A – Se aqui for melhor, quando eu estiver lá, terei uma lembrança daqui. Agora aqui, eu não tenho a mínima lembrança de lá.

(pausa)

A – Você fica?

Written by lucasarantes

março 18, 2010 at 2:49 am

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diálogo sobre psicanálise

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Macbeth – Como está a sua paciente, Doutor?

Doutor – Não tão doente, meu Senhor, mas atormentada por múltiplas visões que a privam do repouso.

Macbeth – Cura-a disso. Não pode lher dar um remédio para a mente doente, arrancar-lhe da memória a dor enraizada, apagar as preocupações gravadas no cérebro e, com algum doce antídoto do esquecimento limpar o peito entupido com essas perigosas coisas que pesam sobre o coração?

Doutor – Nesse caso, o paciente deve tratar a si mesmo.

Macbeth – Joga a medicina aos cães Não quero nada dela.

*

Segue a sequência, depois do assassinato, filmada por Orson Welles dessa obra fundamental. Esse é o primeiro filme de Welles baseado na obra de Shakespeare. Essa sequência, pra mim, é uma das mais bonitas e demonstra bem o poder do texto, do conflito das personagens e dos instante decisivo dessa peça, uma das mais importantes do teatro mundial.  

Written by lucasarantes

março 8, 2010 at 2:15 am

Publicado em cinema, teatro

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poeta de uberaba

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PARTI, MEU AMOR. SE VOCE RESISTIU, SE VOCE DEBATEU,SE PROTESTOU, POUCO IMPORTA , A CARNE É FRIA,A MENTE GELADA. SE GRITAMOS, GUARDAMOS SILENCIO, SE NÃO HOUVE JUSTIÇA, A CARNE É FRIA. A MENTE GELADA. SE NOS ESQUECEU A ROSA, E CHORAMOS, SE TEU AMOR FOI INGRATO. SE NADA ENTENDI. SE VOCE MENTIU. SE VOCE CHOROU. SE VOCE TRAIU. A CARNE É FRIA, A MENTE GELADA. SE VOCE DANÇOU, SE VOCE BEBEU, SE VOCE GEMEU. A CARNE É MORTA. SINFONIAS NOS EMBRIAGARAM, O ARCO IRIS CEGOU-NOS DE BELEZA, ACENDEMOS FOGUEIRAS, ARREPIAMOS DIANTE DAS ESTRELAS. A MENTE É FRIA. A CARNE É MORTA. SE GOZASTE , SE TRABALHASTE, SE MUTILASTE MEUS ÓRGÃOS E TEU TEMPO. POUCO IMPORTA. SE ESCREVI UM POEMA, E TIVESTE UM FILHO, AMASTE UM HOMEM, DUAS MULHERES. A CARNE É MORTA SE FOSTE MEDIOCRE, SE FOSTE BRILHANTE, A MENTE É FRIA. SE TOMAMOS CHUVA, SE BEBEMOS CHUVA, SE GRITAMOS AO VENTO, SE AJOELHAMOS, A MENTE É MORTA. SE FOSTE INTENSA, SE FOSTE DÉBIL, POUCO IMPORTA. SE INCEDIASTE MEUS OLHOS NO DESESPERO DAS MADRUGADAS, AGORA DORMES. (UBERABA!!!06MARÇO2010PAULO CECILIO)

Written by lucasarantes

março 7, 2010 at 10:08 pm

Publicado em literatura

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